segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Desmordaça



Liberado humor com políticos nessa eleição! Numa ilha de sensatez desse imenso oceano de incongruências chamado Brasil, o ministro Carlos Ayres Brito, do STF lançou liminar “desamordaçando” os humoristas em relação aos candidatos nessa eleição. Resumindo, ele quis dizer que qualquer bronca a respeito disso deve ser tratada pela Justiça após a exibição do feito humorístico. Logo, quem possui bons advogados pode se sentir um pouco mais seguro pra dizer o que quiser, mas quem não tem, que reze para ter razão e ser ouvido por um juiz sensato, caso venha a ser processado.

Conversando com alguns chargistas, percebo que existe sim um tipo de censura no país, principalmente nos pequenos e médios veículos de comunicação. É uma espécie de autocensura dos impressos que o fazem por medo. Não o medo de ser empastelado por questões políticas ou ideológicas, mas sim, o medo de ser processado e tomar prejuízo monetário. É uma censura jurídico-financeira que inibe as charges mais ásperas e deixa o humor alcalino. Hoje, o bobo que erra no tom da piada não corre o risco de ser decapitado ou torturado; ele é infligido no ponto onde mais nos dói nessa sociedade “bárbaro-capitalista”, que é o bolso.

domingo, 15 de agosto de 2010

Justiça sem graça


A justiça deixará a eleição sem graça?

A minirreforma eleitoral criou restrições que impedem satirizar os candidatos na TV. Mais precisamente, essa desagradável nódoa se dá no segundo parágrafo do artigo 45 da lei 9.504/97 que veda a possibilidade de “usar trucagem, montagem ou outro recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação, ou produzir ou veicular programa com esse efeito”. Ou seja, nada de colocar “chifrinho” em foto de candidato. Agora, usar o Photoshop para manipular imagem e deixar o candidato mais simpático nas fotografias dos santinhos, pode.

A política é uma coisa muito séria, por isso mesmo o humor é importante. Na caricatura dos fatos o humor realça e escancara o âmago da coisa, de uma maneira clara, precisa e o melhor de tudo, engraçada; o que colabora para uma maior assimilação e compreensão da informação satirizada. O humor político aproxima os cidadãos comuns da vida pública, levando-os, se não a uma participação ativa na sociedade, ao menos, a uma maior conscientização sobre as questões sociais. O que só ajuda e fortalece a democracia.

Embora o TSE não tenha sido o responsável pela restrição do humor sobre os candidatos na TV, a Justiça atua como o carrasco que pune o infrator. Pois é esse o papel da Justiça: garantir que as leis sejam cumpridas. O “mandante” da ordem seria, portanto, o próprio pressuposto da lei, que por sua vez segue o que foi aprovado pelo poder legislativo.

Essa lei já existe desde 1997, mas só em setembro do ano passado, durante a minirreforma eleitoral é que o polêmico parágrafo foi acrescido. Até então não se tinha definido o entendimento do que seria trucagem e montagem audiovisual e nem de que forma elas estariam vedadas. Esse substitutivo foi apresentado pelo deputado do PCdoB-MA Flávio Dino visando por objetivo, evitar que os candidatos fossem ridicularizados de maneira prejudicial e também, evitar que nas disputas eleitorais, em especial nas disputas locais, políticos donos de rádios e emissoras de TV, as utilizassem para denegrir os adversários.

É fácil cair no discurso rápido de que se restringiu alguma coisa, se trata de censura. Sim, é censura, mas veja bem, a lei veda apenas trucagens e montagens que degradem e ridicularizem os candidatos. Por si só, isso não impede que se façam piadas com os políticos; apenas força que o humor seja mais inteligente. O próximo ponto seria, portanto, definir o que é ridicularizar ou não os candidatos. A princípio parece uma questão difícil, mas em teoria pelo menos, não é, pois, bastaria para isso saber separar a pessoa pública do político de sua pessoa particular. Talvez coubesse à lei, mais um parágrafo a esse respeito.

Quando um sujeito concorre a um cargo público, parte de sua vida se torna pública também. E quem entra numa batalha deve estar disposto a aturar as amarguras do combate. Supondo que um candidato venha a apresentar uma idéia ou um argumento considerado esdrúxulo, numa democracia real e livre, eu estaria em pleno direito de me expressar comicamente esculhambando tal idéia, pois aí, eu estaria me dirigindo à pessoa pública do candidato, apresentando minha opinião de uma maneira sarcástica. Agora, se parto para fazer humor me valendo de aspectos privados e particulares da vida dos políticos, que nada têm a ver com sua vida pública, estou dando direito a ele de se sentir degradado ou ofendido. Até nos combates de vale-tudo não se pode enfiar dedos nos olhos ou dar porrada nas genitálias, então seria justo evitar golpes sujos no humor também, como fazer piada gratuita sobre os aspectos físicos e pessoais dos candidatos, ou qualquer outra coisa do gênero. Claro que eu digo isso me referindo a fineza do humor dito inteligente, visto que existem outras formas de manifestações humorísticas que, em princípio, não estão nem aí para essas questões, tais como o humor escatológico, humor negro, pastelão... Mas a fim desta discussão, vale lembrar que o direito de um termina quando o do outro começa.

Um exemplo do que eu quero dizer se refere ao José Serra, coitado... Verdadeira vítima de bullying devido a sua vasta cabeleira ausente e pitorescos dotes físicos. Faz-se piada a todo o momento sobre sua aparência física, comparando-o a personagens como Drácula, Mr. Burns dos Simpsons, Tio Chico da Família Adams... Nada ligado às realizações ou negligências de sua vida pública, coisa que só empobrece o humor e sua real importância social.

Liberdade sem responsabilidade é vadiagem. Pode ser bom para um indivíduo, mas péssimo se em toda sociedade. Sobre seus pontos de vistas, o brasileiro muito sabe e pouco entende. É muita convicção e pouca razão. Gente! Pensar não é cagar, que já nascemos sabendo. O pensar é um processo ativo que a raça humana se esmerou em aprender e desenvolver, mas a julgar pelo nível das discussões políticas no Brasil, acho que estamos precisando reaprender! (não me excluo desse bolo)

Hoje, a liberdade de expressão não está ameaçada por questões ideológicas, mas sim, pelas eventuais custas processuais que venhamos a ter. Quero ver quem terá coragem de se arriscar a tomar uma multa que varia de vinte mil a cem mil reais! Que são, justamente, os valores estipulados por essa lei.

E pensando bem, até o ato de cagar requer certo apreço para ser bem executado. Algo que precisou ser aprendido e desenvolvido pelos seres humanos. Desaprender a pensar ainda vai... Agora, sinceramente, desejo que o mundo acabe antes do homem desaprender a cagar.

sábado, 3 de julho de 2010

Tenta, tenta, tenta... Mas continua penta!



É PENTA!!! É PENTA!!! BRASIL É PENTA, GALERA!!!

Tá bom, tá bom... não conforta, eu sei... O momento agora é de união. O povo brasileiro precisa se unir pra encontrar o bode expiatório e culpar por essa derrota! É Dunga?! Júlio César?! Felipe Melo?! Mick Jagger?! A jabulani?! Presidente Lula?!... Ou o tão citado e valorizado "grupo"?!... É, talvez fosse justo execrar o grupo como um todo!... Mas sinceramente, pra mim, o encosto veio mesmo foi daquela jabulani com a voz de Cid Moreira que tava passando na globo! Vixe!

Agora é torcer pro mundo não acabar em 2012 pro Brasil tentar o hexa em casa! (isso se os abutres de plantão não comerem as verbas destinadas à construção dos estádios)

Com essa era hexa, Brasil!

Obs.: Quer consolo melhor do que ver a Argentina tomando de QUATRO?...

Obs. 2: E não é que Mick Jagger torceu pra Argentina!!... hahahahahahahhaha!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Trabalhos Sedentários


Trabalhos não selecinados no Medplan... O tema era sedentarismo... Primeira investida com aquarela...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Breve divagação chargistica

Algumas charges que fiz ultimamente...


Sobre a quebra da patente do Viagra. Fiz assim que saiu a notícia, só que eu havia feito com pressa e acabei sentindo, numa primeira versão realizada, que o trabalho havia ficado mais com um aspecto de ilustração do que charge, daí refiz nessa segunda versão... Isso me levou e refletir um pouco sobre essa tênue linha subjetiva que separa esses dois conceitos, ainda mais depois de ler o edital do concurso de ilustrações da Folha de São Paulo. Nele, quatro categorias: Cartum, charge, quadrinhos e ilustração... ok! Lida algumas exigências comuns e necessárias a concursos, me deparei com uma que me causou estranheza. Era preciso que atrás das ilustrações e das charges houvesse referência ao texto das quais foram inspiradas. Ok, no caso das ilustrações tudo bem, pois em princípio, segundo entendo, a ilustração surge como isso mesmo, complemento ou suplemento de um texto já existente. Mas a charge... A charge não! A charge é autônoma! Não precisa estar vinculada a texto nenhum, mas sim, aos fatos em si! Acredito que num jornal, a charge tem (ou deveria ter) o mesmo valor ou peso de um artigo, ou será que estou enganado? Compreendo que antes de tudo o chargista seja um comunicador, um formador de opinião, ora mais contundente, ora mais suave e “ilustrativo”, mas sempre, um cara para quem, o que se diz vem a ser mais relevante do que a maneira como se diz, ao contrário do ilustrador, a quem o principal foco de seu trabalho se dá na melhor forma de expressar aquilo que o texto quer dizer. Dessa maneira, imagino que as premissas para a criação de uma ilustração seguiriam a seguinte ordem de importância: composição>arte final>mensagem (pois a mensagem principal fica por conta do texto), enquanto que na charge a ordem seria: mensagem>composição>arte final... Digo isso num sentido de conceito ideal: charge, e conceito ideal: ilustração... Óbvio que para deixar mais claro o que quero dizer, eu deveria explicar o que entendo por mensagem, composição, e arte final e o porquê dessa ordem, blablablá... Mas tô com preguiça... Torcendo para que essa ideia seja intuitivamente captada por quem se interessar, se é que há algum sentido nela...
Enfim, Como eu já disse, a linha é tênue e subjetiva, e qualquer divagação sobre o assunto que venho a tecer por aqui, possui um caráter meramente reflexivo e explanatório. Além disso, uso essa lógica mais para entendimento pessoal do que qualquer outra coisa, já que na prática, ela não tem relevância alguma!! Cartum, charge, ilustração, quadrinhos, design, graffiti, artes plásticas... Hoje em dia as fronteiras das artes visuais estão abertas e bem permeáveis, com suas vertentes se infiltrando mutuamente. O importante é que no final, o trabalho fique bom e agrade ao público (entenda: Consumidores).
Ainda assim, sinto hoje em dia, uma certa subvalorização da charge como elemento comunicativo na cabeça das pessoas... Quase como se a charge tivesse apenas o papel de decorar a página do editorial, ou de entreter o leitor e não mais o de levá-lo a um entendimento crítico real acerca de algo. Imagino que nos grandes jornais a compreensão seja outra, além de termos grandes chargistas por aí que enfiam mesmo o dedo na pereba! Mas no geral, é essa a impressão que tenho, principalmente quando olho para as pequenas e médias publicações Brasil afora... É tudo muito brando... Polêmicas afugentam clientes?! Deve ser... Na acomodada sociedade brasileira de hoje, tudo estará certo se parecer que está certo, então pra quê refletir, né?


Charge sobre o aguaceiro que caiu no Rio de Janeiro. Impotência nada redentora.


Os presos provisórios e jovens cumprindo medidas sócio-educativas poderão votar em 2010... E dizem que já vazou na internet um jingle pra campanha, de autoria desconhecida que seria mais ou menos assim: “Irmão que vota em irmão, melhora a vida na prisão! Vote 1533 e apague um alemão!” (imagine isso em forma de uma musiquinha beeem chata... funk, talvez).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Peroba é com Arruda


Querendo, o óleo de peroba já tem um garoto-propaganda perfeito, lá, governando Brasília... E até poderiam criar uma nova linha do produto: óleo de peroba com toque de arruda! Mas ao invés de afastar o olho-gordo, atrairia a mão-graúda! O cara é o cúmulo da cara-de-pau... Mentiu deslavadamente no episódio da quebra de sigilo do painel eletrônico do senado, na votação de cassação do ex-senador Luiz Estevão... Pediu desculpa... O povo desculpou. O cara se candidata a governador, paga propina, recebe propina... E ainda teve a pachorra de dizer que o maço de dinheiro recebido era para comprar panetone!!! Isso nem é achar que o povo brasileiro seja idiota. É ter certeza! E depois de todo esse escândalo, ele diz que perdoa as pessoas que o criticam e pede perdão novamente ao povo!!... Se isso não é ser cara-de-pau, nada mais é!

O banditismo impera na política brasileira! Se Lampião estivesse vivo, estaria no Congresso Nacional...

sábado, 9 de janeiro de 2010

Foda são os Outros


Uma coisa que eu detesto é quando estou numa fila qualquer, de supermercado ou de banco com uma pressa danada, louco pra sair logo de lá, ou fuzilar todo mundo no local, já prestes a ser atendido e o cidadão da frente fica remanchando em sua vez... Fica batendo papo, levando a mão à carteira em câmera lenta, analisando seus documentos ou seu dinheiro despreocupadamente, com todo tempo do mundo pela frente... E quando o atendente está no mesmo clima, então!... O que era demora vira uma era geológica... É extremamente irritante! Odeio!... Se tá de lerdeza, que vá adestrar bicho-preguiça, cacete!... Já outra coisa que também me irrita é quando acontece de eu estar tranqüilo numa fila, relaxado, sem pressa, e há alguém agoniado atrás de mim... Bufando, ansioso, tremulando a perna compulsivamente, resmungando sobre a demora da fila como se isso fosse fazer o tempo andar mais rápido... Daí chega minha vez, e fica aquela vibração ansiosa em minha nuca, me apressando; querendo que eu adiante logo e parta dali... É extremamente chato! Definitivamente. Se tá com pressa, que fique rico e vá a lugares que atendam clientes classe A, pô! Paciência!... Na minha vez tenho o direito de agir no tempo que me é natural... Vou te dizer, viu?! As outras pessoas são foda!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ano Novo, Chuva de Sempre...


Chegou 2010!!... Molhado e mau-humorado!... E se as chuvas continuarem a cair dessa maneira, o jeito vai ser "molhar" a mão de Noé e descolar uma vaguinha na Arca!...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Mais de Arruda


Se Papai Noel fosse brasileiro, o Arruda aí da charge só precisaria aumentar um pouco mais a oferta...

domingo, 20 de dezembro de 2009

Hipócrentes

Nem vou comentar o absurdo dos deputados rezando após receberem a propina do governo Arruda. Nem o Casseta e Planeta bolaria algo tão ridículo ou grotesco. A cena serve para ilustrar o desvirtuamento que o pensamento cristão sofre na mente de muitos crentes hipócritas. Pessoas que vivem envoltas nas merdas que produzem e com discursos virtuosos e aromatizados, acreditam poder mascarar os odores putreos que suas almas emanam, aliviando com isso sua própria consciência. Que os bons cristãos não se ofendam com esse meu desabafo, mas o demônio possui inúmeras faces; muitas delas se escondem nas igrejas, e até pregam o evangelho. Contudo, seria justo salientar que as faces do demônio se escondem não só no cristianismo, mas também em todas as outras religiões, doutrinas, ideologias, ou formas do pensamento humano, pois Deus e o diabo estão em tudo que é produzido pelo homem. São o que há de melhor e pior em sua essência, porém, o que vem de Deus respeita; o que vem do diabo se impõe.

Quando a ignorância e a miséria se alastram, ratos e igrejas proliferam.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A Fé de Arruda no Brasil


E cá, rezemos nós para que as preces dele não sejam atendidas...

domingo, 29 de novembro de 2009

O Sonho Dubai, Bye Bye?

Apanhados



Exposição na gibiteca de Santos, com alguns dos trabalhos que fiz desde que desci do pau-de-arara em São Paulo... Vá lá, vá!

sábado, 24 de outubro de 2009

Pragas de Pregagens

Não é de hoje que venho me atentando para a existência de algo que soa como uma espécie de censura politicamente correta, querendo se instalar no país, e de tempos em tempos, vemos na mídia exemplos de casos que levantam essa questão. Recentemente foi Danilo Gentili, uma das revelações do CQC quem quase parou na pira da inquisição do politicamente correto, acusado de heresia, digo, preconceito.

O preconceito existe no Brasil? Sim, existe. Qualquer pessoa com um mínimo de consciência social consegue perceber isso no dia-a-dia. Um tipo de poluição impregnando nosso meio ambiente. Pois, assim como existe a poluição ambiental, a poluição visual, a poluição sonora; existe também esse outro tipo de poluição que é a social, que se manifesta e se propaga através do preconceito, em particular, do preconceito racial. Uma praga social oriunda da putrefação dos valores coloniais e que persiste existindo em nossa sociedade contemporânea, se mostrando difícil de erradicar; apesar de todos os esforços e avanços conseguidos nessa direção.

Existe sim no Brasil um racismo envergonhado e dissimulado, que escorre murmurante da língua maldizente de alguns indivíduos idiossincrásicos. Logo, torna-se necessário que existam leis e até mesmo certo grau de ações afirmativas do estado, principalmente no “front” educativo, para coibir ações e pregações socialmente desagregantes e também, para tentar disseminar nas futuras gerações uma nova consciência social, mais evoluída e igualitária, compatível com as necessidades que a realidade do século XXI vem nos trazendo. Tais medidas são importantes para garantir que o racismo, se não exterminado, continue pelo menos assim, envergonhado de si por saber que a sociedade não o tolera.

No entanto, me incomoda enormemente a histeria e o frenesi com que, apressadamente, muitos paladinos da moral alheia julgam e condenam os “infiéis” da cartilha politicamente correta - Ele é racista! Disse algo que me ofendeu! Joga pedra! Enforca! Manda pra guilhotina! Queima! Processa! - Pois, uma coisa é você dizer que fulano proferiu algo racista, outra, é você afirmar que tal pessoa é racista por ter feito alguma observação ou colocação de caráter subjetivo, que pode ter sido preconceituoso, mas que também pode ter sido mal interpretado. Não se pode definir um artista julgando apenas uma obra.

O preconceito é fruto da ignorância, e não se acaba com a ignorância se valendo de atitudes ignorantes, da mesma forma que não se apaga uma fogueira atirando-lhe lenha. Se o objetivo real da sociedade é a igualdade, o correto, portanto, seria parar de frisar nossas diferenças e realçar, valorizando, o que todos nós, seres humanos, temos em comum, independente da cultura, etnia, credo, nação ou tom de pele, e que consiste, justamente, na vida. E é aí que o humor se torna algo valioso, ou dependendo da ótica, maldito.



O humor é um recurso que serve como válvula de escape para a pressão que, em geral, a vida exerce sobre nós, seres humanos nascidos e viventes. O humor se vale de vários artifícios, e ao longo da história da humanidade vem assumindo diferentes formas e particularidades no ato de se expressar, de acordo com a cultura e época. Hoje, podemos dizer que vivemos num mundo pluricultural, na chamada aldeia global, onde se abriga a mais variada gama de indivíduos, todos querendo seu espaço ao sol. Nesse cenário, o humor se ramifica e assume diversas formas na tentativa de agradar os diversos gostos. E é nessa pluralidade que algumas idéias se chocam, e muitas vezes, a ignorância se manifesta.

No caso de Danilo Gentili, eu compreendo que ele tenha lançado uma piada com um tipo de pensamento em mente, no entanto, a piada soou e deu margem a outro tipo de interpretação, e o que deveria ter se restringido apenas a questão de bom gosto ou mau gosto, seguiu-se dentro e fora da internet tomando uma proporção desmedida, por quererem execrar Danilo Gentili como racista. No entanto, vale citar que o Ministério Público já arquivou o assunto por considerar não ter havido uma prática criminosa que demandasse medidas de um órgão federal.

O comentário que desencadeou a discussão, consistia em fazer uma comparação entre King Kong e os jogadores de futebol, que após ficarem famosos, logo tratariam de “pegar” uma loira. Como a maioria dos jogadores brasileiros nessa condição tem o tom de pele escuro, se fez a associação de que Danilo Gentili teria chamado os negros de macaco o que, pelo comentário em si, não fica evidente, embora sugestivo. No entanto, no comentário seguinte dele no Twitter, e aqui eu transcrevo, “Alguém pode me dar 1 explicação razoável pq posso chamar gay de veado, gordo de baleia, branco de lagartixa mas nunca um negro de macaco?” dá a entender que ele realmente fez a associação entre negros e macacos. Ainda assim, eu não enquadraria Danilo Gentili como racista porque, segundo entendi das explicações que ele deu posteriormente, o humorista não faz a comparação no sentido de dizer que os negros estariam atrasados na escala evolutiva e que seriam, portanto, inferiores aos brancos. Ele apenas teria comparado a cor da pele negra à cor da pelagem comum em muitos macacos. E é justamente nesse ponto, creio eu, pelo uso da terminologia “macaco”, que o nó aperta e a comunicação falha.

Numa sociedade ideal, onde as discussões teriam a função de levar as pessoas a um entendimento comum, e não a de tentar impor aos outros seu ponto de vista preconcebido, coisa extremamente difícil de se ver nesse Brasil maniqueísta, o episódio deveria ter se dado, mais ou menos, da seguinte maneira: Gentili faz seu comentário. Pessoas se ofendem e vão tirar satisfação – Sr. Danilo, o que o senhor quis dizer nessa comparação? Por acaso você quis insinuar que os negros são intelectualmente inferiores aos brancos, que jogam bosta nas pessoas no zoológico, ou que catam piolho uns dos outros para comer?! – Por sua vez, Gentili diria – Não, claro que não, apenas comparei a cor dos macacos ao tom de pele dos negros, e a comparação parou por aí. Longe de mim querer ofender! – e os ofendidos continuariam – Ah!... Tudo bem, então. Mas saiba que você foi muito infeliz nessa comparação, pois, mesmo sem querer, você acabou colaborando para disseminação do racismo, visto que a palavra “macaco” já trás enraizada consigo uma herança cultural preconceituosa muito forte. E mesmo que você a utilize numa outra conceituação, a carga negativa por ela transmitida, mesmo que você não note, se faz sentir por aqueles que sofrem com o preconceito no dia-a-dia. Por isso pedimos para evitá-la. – Diante dessa observação, acredito que Danilo Gentili pediria desculpas, reconheceria ter se valido de uma palavra inadequada, o ponto central da confusão seria esclarecido e, conseqüentemente, nenhum humorista precisaria ser tão apedrejado na internet.

Como dito, a palavra “macaco” se mostra indevida e imprecisa para ser utilizada na comparação pretendida por Gentili, porque, além do que foi dito acima, ela abarca em seu sentido, todas as espécies de símios existentes, que por sua vez, exibem uma variação muito grande de cores na pelagem de seus indivíduos, e não só o tom negro. Então, seguindo essa lógica de raciocínio, seria preciso especificar a espécie para a comparação, símios de pêlo escuro para os negros, os de pelagem branca amarelada encardida como gibão e babuíno para os indivíduos brancos e pardos, e o orangotango para os ruivos. Pronto! Todo mundo sacaneado, em especial, os macacos! O problema agora estaria por conta dos ativistas do direito animal.

Por fim, desprezo o racismo e, particularmente, não sinto mais graça em humor que apela para as diferenças, porém, não me considero senhor das virtudes para dizer o que deve ser considerado engraçado ou não, pelas pessoas, embora eu creia que os excessos devam ser polidos. Mas temo por uma sociedade humoristicamente asséptica e radicalmente ignorante.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Breve Portfolio (balaio de trampos)

Alguns trabalhos que fiz nas últimas semanas... Sem muito saco para escrever, e lamentando por isso.

E o tolo títere se sacrificou em demasia; se desgastou, e desgostoso, não teve ânimo para aproveitar a recompensa. Tinha como titereiros Apolo e Dionísio que o dividiam; altercavam e se alternavam na manipulação do teatro que era sua vida.















Vai tudo bagunçado mesmo!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

zine

Muito tempo fora... Vida social em stand by... E feito o fanzine. Carrancudo... Na verdade, feito desde Março deste ano... Finalmente! Depois de um período de gestação de vários séculos!... O mais difícil foi conseguir imprimir... Toda hora uma enrolação, uma atrapalhação... e não sei o quê com as gráficas... mas enfim, tá pronto. Esse zine, basicamente, se trata de um apanhado de trabalhos meus que jaziam sem finalidade; tiras, ilustrações e alguns textículos... Ajuntados num balaio de páginas.


E no transcepto de seu pequeno burgo, grita o médio citadino: Pegaram o ladrão?!... Porrada nele!... Bate! Espaca! Vagabundo tem mais é que apanhar mesmo! Quebra ele todo!! O quê, como assim!? O ladrão é meu filho!? PÁRA!!! PÁRA!! CADÊ OS DIREITOS HUMANOS!?!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Maio de Maia


Maio... Mês da mulherada... mães, noivas e Nossa Senhora... E não por acaso. Diz-se que a palavra “maio” vem de Maiestra, antiga deusa romana associada à imagem de Dona Dea, deusa da fertilidade e abundância, ou que então faria referência à Maia, deusa das flores e jardins... que era homenageada pelos antigos romanos na primavera... lá pelo mês de maio, em rituais repletos de flores e danças, onde as mulheres dominavam o pedaço e iam tudo sem calcinha... mas os homens, em geral, não podiam participar (que merda, hein?)... Não deviam ser tão legais quanto os rituais oferecidos à Dionísio... hehehe

Em maio também ocorreu a Virada Cultural aqui em São Paulo, e sinceramente não sei por que o governo ainda gasta um monte de dinheiro no cachê dos artistas... Bastaria espalhar umas caixas de som por aí e a policia fazer vista grossa pro uso de droga que o povo se divertiria do mesmo jeito... (exagero à parte, hein gente?!)

Ilustrações feitas a pedido de uma tia para um texto seu sobre maternidade e política... Não era pra ter um caráter crítico e tal... ficou mais com cara de charge.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Perdido, Mas Farejando...


A mudança é inevitável; não depende de nossa vontade.
Estamos sempre em mutação, querendo ou não.

O que vale é tentar entender se tais mudanças nos direcionam à nossa felicidade.
Só que primeiro, seria preciso descobrir onde nossa felicidade se encontra.

Presumindo, é claro, que ninguém queira ser infeliz.
Que se assim o são, o são por não conseguirem não ser.

A felicidade seria algo que cairia por sorte em nossas vidas, ou seria algo que produziríamos com nosso próprio esforço?

Quem está conformado com sua vida não se preocupa em melhorá-la.
Acomodado, não se interessa por revoluções e sacrifícios.

Mas a maré está sempre em movimento.
Com a correnteza nos carregando. Mudando-nos constantemente.

Quem fica parado morre esturricado.
E quem fica a mercê da gravidade, acaba puxado para baixo.

Portanto, a verdadeira felicidade seria algo que se conquista e não que se ganha.

Quem brinca de ser feliz deixa de ser feliz com o fim da brincadeira.
Assim como o menino que brinca de soldado, não mais o é quando a brincadeira acaba.

Pura ilusão, fantasia... Momentos de alegria, apenas.
Euforia, entusiasmo, contentamento, júbilo. Efemeridade.

Uma evasão da realidade. Útil. Saudável.
Mas para muitos, vira uma fuga alienada da incompreendida existência.

Vã tentativa de escapar de suas aflições ignorando sua consciência.
Só que é impossível fugir de si mesmo. Você sempre estará consigo.

E como seria a felicidade então?
Só quem realmente a sente, sabe como é.

Talvez esteja apenas em conseguir o que se quer, e querer o que se consegue. Talvez.

Sei da infelicidade.
Sei que está em tudo que tira a liberdade, a independência e a individualidade do ser.

Está em tudo que se vincula à fraqueza do espírito humano e o ilude.
Está no desejo que obscurece a razão e no raciocínio que sufoca o sentimento.

Está na ignorância da Verdade.

A mudança é inevitável. Que seja para cima, então.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Deus Mercado, o bipolar

Essa gangorra financeira mundial ta foda!... Até anteontem lia-se notícia afora... “Pânico na Bovespa”; corri pra fazer uma chargezinha a respeito, mas fiquei com preguiça de postar na hora... “Tudo bem”, pensei... “Amanhã eu posto”... daí, ontem, dia 13, leio a manchete: “Proteção a bancos dita maior alta diária da Bovespa desde 1999”... Pô! Perdi o momento da charge!! Só tô postando pra não ficar o trabalho em vão, porém, me senti obrigado a fazer outra (vagabundinha por sinal), apenas pro blog ficar um pouco mais atualizado... A situação da crise melhorou porque os governos do mundo “civilizado” se uniram numa espécie de cruzada financeira, com o intuito de ajudar seus sacerdotes dos cifrões na tentativa de apaziguar o Todo Poderoso Deus-Monstro Mercado, exercendo assim, um verdadeiro samba do crioulo doido* de resgates aos bancos. Parece que a ação funcionou bem, como viagra ao levantar o ânimo dos investidores!... Só espero que essa euforia perdure e que esse deus mimado e bipolar se dê por satisfeito por mais algum tempo, não sendo preciso fazer mais nenhum sacrifício monetário.

*Hoje, eu evitaria esse termo. Faço esta observação em 2020.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Bolsa Rasgada

Parando de olhar pro umbigo, e visando o mundo novamente... Mas não tão atento quanto deveria...

A situação tá séria, hein?!! Um verdadeiro tsunami na relativa bonança do mercado mundial!... É quase um "29" novamente!... Só espero que essa crise se resolva logo, antes que o Brasil precise queimar seus estoques de café!!! Ficar sem o cafezinho vai ser foda.
E é engraçado como até agora Bush não tenha culpado Bin Laden ou o Irã pela crise! A cúpula dele deve estar se sentindo perdidinha sem ter um bode-expiatório pra tacar bomba...
Os verdadeiros terroristas desta vez foram os ricos especuladores de Wall Street... Ou será que Bin Laden realmente está por trás do calote no mercado imobiliário estadunidense? Hm... Sempre em setembro, hein?