sexta-feira, 18 de julho de 2008

Carrancando

Admiro as carrancas.
Indiferentes e fanfarronas.
Impávidas e zombeteiras.
Sabem como encarar bem a vida.

Existe uma cultura no rio São Francisco, ou pelo menos existia, dos barcos que lá navegam carregarem em sua proa uma carranca de madeira que, segundo alguns, possuiria o atributo mágico de afugentar os maus espíritos e liberar os caminhos para uma boa travessia... Gosto dessa imagem. Há um tempo atrás resolvi colocar uma carranca na face... E sim, a vida fluiu legal... Porém, como vivo em paradoxos, resolvi pôr em xeque essa minha certeza e deixar a carranca de lado por uns tempos... E não é que o revés veio com tudo?!... E engraçado como vem sempre com cara de mulher... Odeio máscaras, embora viva de baile em baile... Uma máscara bem feita sempre instiga minha curiosidade... Só que daí, eu me aproximo demais... Pronto! Sou tragado pela gravidade... Caio esgotado no chão com o fim da miragem, me perguntando quando surgirá a seguinte... Pois sim, embora miragem, a esperança é sincera... Foda mesmo é o fim da esperança... E o que fica no lugar quando a esperança vai embora?... Seria o fim de tudo, não?... Acho que no fim de tudo só o que resta é o recomeço... Ponho a carranca na cara novamente.

Não, não lamento... Tentativa e erro, assim escolhi... Ser cobaia e cientista de mim mesmo, observando em terceira pessoa, sentindo em primeira; tentando provar minha tese que ainda nem sequer concebi... Buscando encontrar seja lá o que for... Mas desejando que seja verdadeiro.

E certo é Zeca Bronha, que dança lambada ouvindo jazz e ri de si mesmo.

3 comentários:

Rebeca disse...

Acredito que vivemos numa era de "carrancas"... onde nos escondemos atras destas "mascaras",caras estranhas, para afugentar o medo que temos....o medo da vida...o medo de descobrirmos quem realmente somos!!!

Adorei o seu texto....
e um dia vou descobrir quem eh...ZECA BRONHA! rss rss!!!
Bjo beca

Milena disse...

Igor!!! Me arrepiei todinha, todinha! Este barco de carranca somos todos nos tentando viver com alguma verdade!

Um beijo, querido.

Dodô disse...

E ae cara, blz?

Somos todos hipócritas por natureza.

Abraços