terça-feira, 6 de novembro de 2007

A carranca do Velho Chico!

Aê gente, charge selecionada no salão de humor de Paraguaçu Paulista... Transposição do Rio São Francisco... Projeto antigo que remonta a Dom Pedro II que não tocou o bagulho adiante por limitações da engenharia na época, mas que voltou à pauta mais adiante com Getúlio Vargas e mais tarde com FHC... Em nível de informação, o projeto consiste na criação de dois canais, o leste com 210 km e que beneficiaria regiões do estado de Pernambuco e Paraíba e o norte com 402 km e que beneficiaria Pernambuco, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte.

Um dos problemas que geram polêmica sobre o tema reside no fato de grande parte do projeto passar em áreas de grandes fazendas, o que beneficiaria, sobretudo, os grandes latifundiários senhores de engenho (hã... ainda existe engenhos, né?), o que é bem provável mesmo, se nós levarmos em conta a velha tradição cultural brasileira de favorecer os poucos que possuem muito. Além disso, pessoas que viverem a quilômetros dos canais não serão beneficiadas com a água, o que consiste em grande parte da população do semi-árido. Outro problema também levantado por quem é contra, é o vasto impacto ambiental que uma obra desse porte certamente acarretará, e ainda nem sequer existe algum estudo completo e isento sobre o assunto, o que é inadmissível numa questão dessa complexidade. Ainda mais considerando as transformações climáticas que vêem ocorrendo mundo afora.

Em novembro do ano passado a ASA, Articulação do Semi-Árido, formada por 750 organizações firmou posição contra a transposição do Rio São Francisco, por acreditarem que essa não seja a solução para sede na região, além de reafirmar a concentração hídrica e a exclusão social. No entanto, há outros especialistas que são favoráveis à transposição. O problema estaria, portanto, na ingerência na distribuição dos recursos hídricos e não na transposição em si.

O fato é que essa é uma discussão complexa que divide o país, a igreja, os políticos, os intelectuais, os artistas, os agricultores, empresários, cientistas... Todos os setores encontram-se divididos... É um “divisor de águas”, como bem coloca o geógrafo Pedro Vianna numa entrevista bem bacana que está “lincada” aí abaixo, e que ajuda entender um pouco melhor essa questão.

http://www.unisinos.br/ihu/index.php?option=com_noticias&Itemid=18&task=detalhe&id=6457

Não sei se perceberam, mas essa charge não é nem prol nem contra a transposição, ou assim eu entendo, poderia tanto ser uma coisa ou outra... Essa é uma questão que às vezes me proponho fazer, outra, é fazer uma charge com um prazo de validade bem estendido... Essa charge daqui a dois anos, provavelmente, ainda fará sentido. No entanto, ela reflete meu ponto de vista no momento... Não sou especialista em água, nem em rio e muito menos em São Francisco. Só sei que cachaça não é água, e que há santo que gosta de cachaça (não esse, claro). Além disso, sei que existe uma série de variantes no tabuleiro desse jogo que eu desconheço, então, apenas me limito a torcer para que haja bom senso nas discussões e decisões dos nossos dirigentes, e o que for decidido seja o melhor para o Brasil (HÁ-HÁ... piada...).

2 comentários:

Dodô disse...

Espero q vc ganhe algo, pelo menos menção honrosa. Eu, da minha parte, estou desencantado com esses salões de humor.

Abraços e boa sorte !!!

Leandro Marcondes disse...

Cara!! Muito bom o desenho!!! Muito bom mesmo!!